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“O protagonismo da classe média”, por Danilo de Castro

Danilo-de-Castro-Divulgação-Segov2A sociedade brasileira ocupou as ruas novamente depois de 30 anos do movimento civil que reivindicou eleições presidenciais diretas no país. O tédio e a insatisfação com as questões sociais que fazem parte do cotidiano dos cidadãos, como educação, saúde, mobilidade urbana e infraestrutura, oxigenaram as manifestações do norte ao sul e revelaram a queda do discurso governamental do PT. Nesse cenário emergiu a – nova e velha – “classe média”, que desempenhou o papel de protagonista.

Qualquer leitura desse momento de agitação social abre-se pela falta de um posicionamento claro do governo federal. Arrisco a dizer que assistimos petistas apavorados e preocupados com o desgaste do partido, porque tudo isso coloca em cheque o petismo e pode significar um possível fracasso nas próximas eleições.

A classe média foi às ruas cobrar a transparência nos gastos, mais qualidade dos serviços públicos, efetivos investimentos nos municípios, o fortalecimento das instituições e o fim da corrupção. Milhares de brasileiros são porta-vozes de um desejo de viver melhor. Contudo, a presidente parece que não ouviu bem os protestantes, uma vez que Dilma Rousseff só dá ênfase à reforma política, transferindo ao Congresso Nacional os principais clamores.

No seu artigo desta segunda-feira (1º) no jornal Folha de S.Paulo, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves fala, com propriedade, sobre a forma como o governo federal encarou esse verdadeiro levante da classe média.

A maioria dos manifestantes pertence a essa classe que atuou em outras circunstâncias importantes de transformação social e política, como aconteceu em meados de 1991, quando os “caras pintadas” ocuparam os espaços públicos, desenrolando pela primeira vez na história republicana do país o impeachment do presidente Collor.

O tempo presente de liberdade plena e de democracia revigora nossas perspectivas de um futuro mais justo aos brasileiros. Acredito que esses atos populares podem nos levar a uma onda inédita de renovação política, com muitos veteranos varridos do mapa e trazendo gente nova e diferente.

*Secretário de Estado de Governo de Minas Gerais