Opinião

“Dilma no país das maravilhas”, por Thelma de Oliveira

Thelma-de-Oliveira-Foto-George-Gianni-PSDBQuem se deu a pachorra de assistir aos dez minutos de programa dos dez anos dos petistas no governo federal relembrou, com certeza, do livro “Alice no País das Maravilhas”.

Como sabe, na obra de ficção de Lewis Carroll, a jovem Alice percorre um mundo de fantasias, onde animais falam, e convive com personagens como o coelho branco, o gato alegre, o chapeleiro maluco e a temível Rainha de Copas.

Depois de muitas aventuras, Alice retorna ao mundo real, é acordada pela irmã e percebe que tudo não passa de um sonho. Volta à realidade, mesmo a contragosto.

É assim que a presidente Dilma Rousseff deve estar se sentindo ao ver o país fantasioso retratado pelos seu colegas petistas no horário gratuito de propaganda partidária. Porque no dia seguinte quando senta na cadeira presidencial e constata os equívocos de seu governo, sua incapacidade gerencial e seu fracasso na articulação política no Congresso Nacional.

A inflação não cede, pelo contrário, continua sua toada crescente, espalhando-se de maneira insidiosa em todos os setores da economia – não se trata mais, como o governo garantia, da inflação do tomate, sazonal,  e sim de uma inflação generalizada que corrói o poder aquisitivo, especialmente dos mais pobres.

E isso ocorre mesmo com a desoneração dos produtos da cesta básica, medida pomposamente anunciada, em clima eleitoral, sem dar o devido crédito ao PSDB, autor do projeto de lei que a presidente Dilma Rousseff vetou, prejudicando novamente os mais pobres.

Realidade vivida na gestão política do governo quando o próprio líder na Câmara dos Deputados ajuda a derrotar a Medida Provisória dos Portos, outra tentativa de impor regras a um setor, sem ouvi-lo ou seus protagonistas. Bem típico de um governo autoritário.

Nada diferente, aliás, da proposta do ICMS “unificado” que simplesmente contrariou a gregos e a troianos – de algum modo, as 27 unidades da Federação perdem recursos e a União soma mais valores ao seu caixa – além de comprometer a harmonia dos entes federados, com o embate dos estados por essa ou aquela solução.

A televisão e o rádio mostraram um país, pode ser qualquer país – o da Alice principalmente –  mas não é o Brasil! Para ficar só num exemplo relacionado à luta e os direitos das mulheres, o ministro da Educação teve a ousadia de falar em “mais creches, outro devaneio do modo “aliciano” de ver o mundo.

Como se sabe, da promessa de sete mil creches, menos de 20 foram erguidas, em quase dois anos e meio de governo, ou melhor, de desgoverno.

Mas, se quiser ficar no mundo de fantasia de “Alice no País das Maravilhas, Dilma Rousseff pode se mirar na personagem “Rainha de Copas” que surge nos capítulos finais do livro. Ela é autoritária, tem um pavio curtíssimo e vive ameaçando decapitar seus leais súditos.

No caso, qualquer semelhança com a realidade não é mera ficção ou coincidência.

* Presidente Nacional do Secretariado da Mulher – PSDB-Mulher