
Após ter sido fechada para obras em abril deste ano, parte da Casa da Mulher Brasileira do Distrito Federal foi liberada para uso em novembro. No entanto, mais uma vez, por problemas estruturais teve que ser barrado o seu funcionamento. O espaço que integra serviços especializados a mulheres vítimas de violência doméstica, foi inaugurado em 2015, mas nunca funcionou de maneira plena.
A coordenadora de formação e cidadania do PSDB-Mulher do Distrito Federal, Mônica Alvares, afirma que há muito dinheiro investido no local, mas falta ética, acompanhamento e gestão. “O GDF alegou que já recebeu mais de 4 milhões para manutenção da Casa da Mulher Brasileira. Esse é um valor mais que suficiente para gerir o espaço, que afinal de contas não conta com tantos funcionários assim. É o atendimento psicológico, é o pessoal do judiciário, atendentes, ou seja, não tem um custo tão alto assim. E a Casa não decola nunca, cada hora é um problema”.
A Casa da Mulher do Distrito Federal fica localizada no Setor de Grandes Áreas Norte, local de difícil acesso para a maioria das mulheres que necessitam do lugar. “Essas mulheres vítimas de violência que precisam da Casa [da Mulher] estão no entorno de Brasília e a localização física da Casa da Mulher Brasileira não favorece o deslocamento dessas mulheres, porque fica no Plano Piloto”, completa Mônica.
A situação da Casa da Mulher do DF foi discutida em audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara do Deputados. A Secretária Adjunta de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal, Joana Mello, disse que após o fechamento do local os serviços foram distribuídos para vários locais, o que dificulta muito o atendimento às mulheres vítimas de violência. “Não temos um espaço onde todos os serviços funcionem de forma integrada, de forma humanizada. Nós não podemos fragilizar ainda mais uma mulher vítima de violência”, informou.
O presidente do Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do governo do Distrito Federal, Clayton Avelar, afirmou que a Casa do DF só pode ser reaberta se for para funcionar de maneira adequada. “Nós queremos a reabertura da Casa da Mulher Brasileira da maneira que ela foi concebida, para evitar que as mulheres tenham que perambular em direção ao Judiciário, em direção à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, em direção ao Ministério Público, em direção à assistência social”, afirmou.
Ao todo, sete casas desse mesmo molde foram implantadas no Brasil. O projeto faz parte do Programa Mulher, Viver sem Violência, criado em 2013 pelo governo federal. Para Mônica, o modelo implementado no DF é um ‘elefante branco’. “É o que o Brasil faz. É um cabide de ganhar dinheiro, a verdade é essa. Mais uma vez a causa da violência da mulher fica sendo usado com objetivos escusos. É triste. Na verdade aquilo é um elefante branco, dado aos valores depositados, ou seja, é muito dinheiro pra pouca resolutividade. É de novo a má gestão pública dos recursos, é dinheiro onde não tem resultado”, frisou.
*Reportagem Karine Santos, estagiária sob supervisão