A líder opositora e ex-deputada venezuelana María Corina Machado afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que a eleição para vereadores, ocorrida no último domingo (9), foi uma nova fraude. Para ela, mesmo o número baixo de comparecimento apresentado pelo regime (27,5%) é mentiroso.
“Por isso que defendo que não se vote mais. A parte da oposição que decidiu negociar com Maduro, e depois participar das eleições regionais para governador, se fragmentou e acabou sendo descabeçada pelo regime.”
Na votação de domingo, os principais partidos de oposição foram impedidos de participar. Corina acredita que os novos governos dos países vizinhos – como os governos da Colômbia, de Iván Duque, e do Brasil, do presidente eleito Jair Bolsonaro-“precisam e vão tomar medidas mais duras, porque sabem que o que vem por diante vai ser um fluxo ainda maior de refugiados”.
A ex-congressista, porém, não defende o uso da força, nem o fechamento de fronteiras ou uma intervenção militar. “Pode-se expor as contas, as propriedades e outras fontes que alimentam o sistema, e estancar essa entrada de recursos. E, mais importante, usar a inteligência conjunta.”
Em outubro, Corina e sua equipe foram atacados por chavistas enquanto iam para um ato no sul do estado de Bolívar, em Upata.
“Como todo regime que está acuado, isolado e perdendo apoio internacional e interno, o governo venezuelano está reagindo com mais violência”, afirmou Corina em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. Ela contou que viu sua caravana cercada por “coletivos” (paramilitares aliados à ditadura de Nicolás Maduro) e policiais. Ela e sua equipe, de 25 pessoas, saíram feridas.
“Depois de me baterem com cassetetes, me puxaram com força pelo cabelo e me deixaram caída no chão. A ideia era que eu não realizasse o ato que convoquei, mas eu fui, mesmo estando dolorida.”
A opositora demonstrou especial preocupação com o sul do país, abandonado pelos serviços públicos, onde atuam guerrilhas e há uma espécie de “corrida do ouro”, pela qual se digladiam cidadãos comuns, paramilitares e guerrilheiros.
“É uma terra de ninguém, superviolenta, sem cobertura da imprensa, e em que a população local está assustada e tendo as terras invadidas, o gado roubado.”
Corina afirmou que, nas Forças Armadas, já há um nível de deserções importante. “Nos níveis médios e mais baixos há muita insatisfação, pois as famílias desses oficiais também sofrem a falta de remédios, alimento e dinheiro.”
Para a líder opositora, o atual regime é mais do que uma ditadura, é um Estado criminoso. “Não basta mudar o regime ou tirar Maduro. Há que se levar à Justiça todos os integrantes deste bando e fazer com que paguem pelas 300 mil mortes de venezuelanos.”
*Com informação do jornal Folha de S. Paulo
