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“A falta que faz um líder”, por Yeda Crusius

O Brasil anseia por um ou uma líder que conduza o país a um porto mais seguro e mais alegre, pois que sacudido por uma violenta crise de múltiplos aspectos o Brasil vai se tornando um país mais inseguro e mais violento. Teremos a chance de escolha em 2018, mas daqui até lá vai continuar o processo acelerado de depuração do Estado dos nossos conturbados dias. O Estado aqui entendido é o conjunto das instituições que controlam e administram uma nação politicamente organizada. A Constituição escreve essa organização. É evidente o mau funcionamento desse conjunto.

O PSDB nasceu em um final de ciclo, em 1988, em plena Constituinte. Nunca é demais lembrar que em 1989 caiu o Muro de Berlim, símbolo maior da Guerra Fria que marcou o Século XX. A globalização subsequente mudou de modo significante as relações sociais em todo o mundo. Nascido na mudança, romper paradigmas é nosso DNA. Um partido fundado por Mário Covas e Franco Montoro, dentre outros líderes, agregou políticos de várias tendências em torno de um programa de mudanças, formando a massa crítica para barrar o conservadorismo presente no Congresso Nacional, que impedia o avanço na construção do nosso Estado Democrático de Direito brasileiro.

Nosso partido conduziu as grandes mudanças da década dos 1990, comandando o país, muitos estados e milhares de prefeituras, resultando em uma guinada nos indicadores de eficiência no uso do dinheiro público, respeito às leis, valorização dos processos democráticos de decisão. Com essa experiência, não pode deixar que se percam seus fundamentos de convivência, inclusive interna, de respeito a pensamentos que representem a diversidade da nossa sociedade num momento de tanta gravidade quanto o que vivemos. Franco Montoro queria o partido unido pela defesa da democracia e do parlamentarismo, pela via da reforma, pelo combate ao fisiologismo/populismo/totalitarismo, pelo uso responsável do dinheiro público, e pelo respeito às diferenças.

É certo que, sintonizado com as mudanças já presentes em todo o mundo, o Brasil acordou em 08 de maio de 2013, quando a primeira multidão tomou a Esplanada dos Ministérios e obrigou a todos a olhar para nossos representados e reconhecer: “não temos ouvido vocês”. Não estava sendo ouvido o som crescente da indignação espalhada por toda parte, chamada e organizada a multidão através das redes, em uníssono potente dizendo “não”. Não havia bastado o STF transmitindo ao vivo o julgamento do Mensalão, elites políticas e empresariais continuavam na sua enlouquecida toada fortalecendo o sistema de corrupção em torno do dinheiro público, com total desprezo aos representados, a seus valores, e às suas demandas sintonizadas com o século XXI. O sistema parlamentarista, que está no nosso DNA, poderia ter evitado essa tragédia.

O PSDB é um partido necessário, que poderia estar fazendo a diferença neste momento de extrema gravidade para todos, parece não estar ouvindo sequer a si mesmo. Grandes mudanças são possíveis quando se tem um líder capaz de agregar respeitando as diferenças. Franco Montoro e Mário Covas nunca fizeram tanta falta, pois que cunharam há 29 anos atrás seu lema “longe das benesses oficiais e perto do pulsar das ruas, nasce um novo partido”. É preciso repensar a vida partidária, reconhecer seus imensos valores, e escolher democraticamente um líder compromissado para conduzir 2018 e os novos tempos que virão.

 

* Yeda Crusius é economista e deputada federal pelo PSDB/RS em seu quarto mandato. Já ocupou os cargos de Ministra do Planejamento e Governadora do RS.

 

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